quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Portugal terá mais pensionistas do que contribuintes em 2028


Os especialistas presentes no Fórum do Investidor são unânimes: a única alternativa, para Estado, famílias e empresas, é aumentar a poupança interna
"Não é o fim do mundo como os jornais nos querem fazer crer", lança Jorge Marrão, Partner da Deloitte, por ocasião do Fórum do Investidor, promovido na terça-feira pelo Diário Económico. O assunto é a actual crise e o endividamento dos vários sectores da economia e, provocações à parte, importa reter que existe uma luz ao fundo do túnel: chama-se "poupança" e é imperativa. "Não há alternativa nenhuma senão reequilibrar a poupança", diz o responsável da Deloitte. Um tema que ganha particular relevância num momento em que "a poupança externa apresenta as restrições que são conhecidas, quer pela quantidade, quer pelo preço", nota o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Costa Pina, logo "temos necessariamente de dinamizar a poupança interna".
As contas são simples: que os portugueses gastam mais do que produzem não é novidade, e a poupança dá lugar endividamento. "Há uma tendência muito forte, principalmente a partir de 1995, de queda da poupança, embora já tenhamos começado a assistir a uma inversão da tendência no último ano", nota João Cantiga Esteves, professor de Finanças do ISEG. E adianta: "Temos um elevado nível de endividamento, superior à média europeia e é generalizado, não é no só no Estado, mas também nas famílias". Raul Simões Marques, vice-presidente do conselho de admnistração do Banif Gestão de Activos, nota que o endividamento das famílias portuguesas quadriplicou nos últimos 15 anos, de 30% em 1995, para 137% do rendimento disponível, em 2009. "Isto não é particularmente grave num contexto de taxas de juro baixas, o que é mais preocupante é que o activo, a riqueza das famílias, se manteve estável neste mesmo período", explica. Para Jorge Marrão, "o défice externo é um problema de poupança e não de competitividade", uma vez que "o resto do mundo é que nos financiou e não vai continuar a fazê-lo".


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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sons das cidades do mundo

Escute sons de várias cidades do mundo nesta página web colaborativa. Aqui.

Criar puzzles de mapas ou de outras imagens


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os censos vão às escolas

Em Portugal, os Censos 2011 vão realizar-se em Março de 2011.

O Gabinete dos Censos do INE em colaboração com o ALEA desenvolveu já alguns materiais de apoio a aulas sobre os Censos.

Estão disponíveis em http://www.alea.pt/html/statofic/html/censos2011/html/censos2011.html materiais para aulas do 1.º ciclo, aulas do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e aulas do Ensino Secundário.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Brevemente... A loja verde


Do cartoonista Dan Piraro

domingo, 5 de dezembro de 2010

Atlas reúne os cem anos das migrações portuguesas

No final do século XIX, os portugueses saíam à procura de um futuro melhor e o Brasil era o principal destino. Hoje, são os brasileiros a maior comunidade imigrante em Portugal, revela o Atlas das Migrações, um livro coordenado pelo sociólogo Rui Pena Pires e o primeiro alguma vez feito, reunindo dados sobre a emigração e a imigração nos últimos 100 anos.


O documento faz uma retrospectiva dos últimos cem anos de migrações em Portugal, com informação cronológica, geográfica e sociológica sobre as migrações portuguesas. O livro vai ser lançado durante o colóquio Migrações, Minorias e Diversidade Cultural, que decorre esta quinta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

“Os portugueses não saíram por vocação mas por acidentes da história. A História explica muito”, diz Pena Pires ao PÚBLICO, confessando que “é céptico às explicações culturalistas” sobre a emigração, seja a portuguesa ou outra. A saída de Portugal não se deve a “uma característica geral comum a todos os portugueses”, mas a questões económicas e ao passado colonial, avança. Actualmente, mais de dois milhões de portugueses, nascidos em Portugal estão fora do país e, por outro lado, existe meio milhão de estrangeiros a residir no país. Pena Pires defende a necessidade de atrair mais imigrantes, de maneira a “compensar” o número de saídas. O sociólogo explica que a emigração se faz em idade activa, logo, é necessário repor activos no mercado de trabalho, bem como compensar o défice de financiamento do sistema de Segurança Social.

Além da apresentação do Atlas, o colóquio procura ainda dar a conhecer as experiências dos jovens que deixaram Portugal para estudar ou para trabalhar. A intenção é “apontar caminhos, fazer recomendações e dar sinais de esperança aos que estão cá dentro e aos que estão fora”, revela Luísa Valle, directora do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano.

O Atlas resulta de um projecto do Centro de Investigação e Estudos em Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e foi financiado pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e pela FCG. Desde 2006 que a Gulbenkian tem vindo a promover encontros, projectos e publicações sobre o tema das migrações.

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Esperança de vida aos 65 anos continua a aumentar em Portugal

O INE – Portugal divulgou recentemente os dados parciais relativos à tábua de mortalidade. Em concreto ficámos a conhecer a esperança de vida aos 65 anos apurada para o triénio 2008-2010: 18,47 anos que compara com 18,19 anos registados no triénio terminado em 2009. Este indicador é determinante para o apuramento do factor de sustentabilidade das pensões, necessário para o cálculo de pensões, penalizações por reforma antecipada e outras contas relativa às reformas e pensões em Portugal. Com este indicador de 2008 a 2010, os portugueses com idade para se reformarem passarão a ter de trabalhar mais pelo menos 4 meses para garantirem que não sejam penalizados na reforma.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Emigraram 700 mil portugueses na última década


Saíram do País 697 962 portugueses para trabalhar, quase o dobro dos 454 191 estrangeiros que aqui residem. É uma nova onda de emigrantes e com números que se aproximam das décadas de 60 e 70
Na última década, 700 mil portugueses saíram do País, para trabalhar. Só em 2007 e 2008, emigraram mais de 200 mil. É a terceira vaga da emigração e com níveis próximos dos anos 60 e 70, diz o economista Álvaro Santos Pereira. Mas esta "pode ser mais prejudicial porque inclui uma fuga de cérebros e porque, combinada com a baixa natalidade, é uma bomba- -relógio para a sustentabilidade da Segurança Social", sublinha.
Depois de dois grandes fluxos migratórios, um no início do século XX e outro nos anos 60 e 70 que bateu todos os recordes, assistimos à terceira vaga da emigração portuguesa, como lhe chama Álvaro Santos Pereira, professor e investigador da Simon Fraser University, de Vancôver, no Canadá.
Está a emigrar uma média de 70 mil portugueses por ano, e houve aceleração nos últimos tempos. Desde 1998, os cidadãos nacionais que saíram são quase o dobro do total de estrangeiros que vivem em Portugal, 454 mil. Nesta terceira vaga, "estamos a falar de números que não tínhamos desde a década de 70 do século passado e que são muito significativos para um país pequeno", nota Santos Pereira.
O investigador recolheu os dados junto dos serviços de Segurança Social e de inquéritos nacionais dos países de destino dos novos emigrantes. É a única forma de ter uma noção dos fluxos migratórios entre Portugal e a Europa, uma vez que a abolição de fronteiras no espaço Schengen impede a contabilização de quem entra e quem sai.
Na última década, e sobretudo a partir de 2003, segundo os dados que publicou este ano no estudo "O regresso da emigração portuguesa", os países de destino foram sobretudo a Suíça, a Espanha, o Reino Unido e o Luxemburgo. E, desde 2007, as saídas rumo a Angola dispararam: 23 mil em 2008 e, "a avaliar pelo número de vistos", afirma Santos Pereira, "mais de 40 mil em 2009".
O presidente do Observatório da Emigração, Rui Pena Pires, confirma uma terceira vaga. O problema é saber quantos destes voltam e quantos destes vão e vêm. "Há uma vaga de emigrantes, mas não sabemos quantos estão a voltar. Esta emigração é no interior da União Europeia e há muitos fluxos de ida e volta. As pessoas emigram para Holanda, Reino Unido, Suíça, Espanha, e voltam, não era como na década de 60 em que saíam sem pensar no regresso", explica Rui Pena Pires. E acrescenta que a verdadeira dimensão deste fenómeno só será conhecida nos Censos de 2011.
Entre os que saem para Espanha, destino que registou uma quebra em 2008 (ver gráfico dos principais destinos), há trabalhadores que vão e vêm todas as semanas ou de 15 em 15 dias. E, mesmo em relação aos cidadãos que partem para Angola, estas são deslocações com ida e volta. Aliás, nos primeiros anos, apenas lhes é concedido um visto de três meses.
É esta incerteza que paira sobre a nova vaga: tem muito de temporária (menos de um ano a trabalhar fora do País), ou não?
Os estudos do Observatório indicam um aumento dos "emigrantes temporários, no quadro de uma maior circulação entre a origem e o destino: esse número passou de quase nove mil emigrantes anuais, nos finais de 1980, para cerca de 20 mil, durante a década de 1990". É um grupo em que a percentagem de homens é maior do que nas migrações de fixação.
Santos Pereira cita dados de inquéritos noutros países para sublinhar que "as estimativas sobre a emigração temporária, em geral são sempre feitas por baixo". O Censos do próximo ano dirá.