segunda-feira, 14 de março de 2011

Japão vive o pior acidente nuclear desde o desastre de Chernobil

Primeiro o tremor de terra, depois o tsunami, agora uma explosão numa central nuclear devido ao sismo obriga Governo japonês a reagir.

A explosão que ocorreu ontem na central nuclear de Fukushima I foi a pior desde Chernobil. O acidente causado pelo sismo de sexta-feira obrigou cerca de 140 mil pessoas que viviam na região, a 240 quilómetros a nordeste de Tóquio, a abandonarem as suas casas devido à poluição radioactiva. A explosão foi classificada ontem de nível 4 na Escala Internacional de Acontecimentos Nucleares, pela Agência de Segurança Nuclear e Industrial japonesa. A gravidade do acidente ficou logo abaixo da explosão de Three Mile Island em 1979 e longe do acidente de Chernobil, em 1986, na ex-URSS, que foi classificado com o nível 7, o máximo da escala. Embora o Governo japonês declare que o incidente está controlado, a comunidade internacional está com os olhos postos na central.

A explosão deu-se às 15h36 (6h36 em Lisboa), um dia depois do sismo de 8,9 na escala de Richter ter abalado o território e provocado um tsunami que se estima já ter morto 1800 pessoas, segundo a agência de notícias Kyodo. Quatro feridos leves foram resgatados do acidente da central, que lançou o pânico de um novo Chernobil afectar um país que sobreviveu a duas bombas nucleares em 1945.

Mas um porta-voz do Governo garantiu que as radiações estavam a baixar e que a explosão não tinha afectado o núcleo do reactor. "A segurança dos nossos concidadãos é a prioridade que guia as nossas acções", declarou ontem o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, durante uma conferência ao final da tarde.

A central de Fukushima I, com seis reactores, fica na costa leste da ilha de Honshu, na província de Fukushima, a 240 quilómetros a nordeste de Tóquio. O sismo de sexta-feira causou uma avaria no sistema de refrigeração na central. Um corte de electricidade impediu a recuperação deste sistema, permitindo que as barras de combustível continuassem a aquecer, o que fez aumentar a pressão interna.

A televisão japonesa NHK avisou logo na sexta-feira que o nível da radioactividade era oito vezes superior ao normal. A empresa japonesa Tokyo Electrical Power Co (Tepco), dona das instalações, tentou diminuir alguma desta pressão libertando vapor radioactivo. Mas a presença de hidrogénio libertado acabou por provocar a explosão que destruiu o tecto do edifício do reactor principal.

"O que é importante é saber onde foi a explosão", dizia ontem de manhã à Reuters Paddy Regan, físico nuclear da Universidade de Surrey, Inglaterra. "Não se percebe o que explodiu. O grande problema é se a cuba de pressão do reactor nuclear [onde está o combustível nuclear] tiver explodido, mas não parece ser isso que rebentou."

Yukio Edano, porta-voz do Governo, confirmou este cenário. "O reactor nuclear está rodeado por um contentor de aço, que por sua vez está rodeado por um edifício de cimento. Foi este edifício que ficou destruído. Soubemos que a parte interior não ficou danificada com a explosão", disse ontem, durante uma conferência de imprensa.

A Tepco disse ontem que os planos para baixar a temperatura da central era preencher o reactor nuclear com água do mar para a pressão finalmente poder diminuir. O processo demora dez horas só para encher a parte interna e cerca de dez dias para completar todo o processo, adiantou.

A Fukushima I foi apenas uma das 15 centrais que foram afectadas pelo sismo e tiveram que ser encerradas, mas 11 delas foram reactivadas a seguir. Segundo o Centro de Informação Nuclear para os Cidadãos, uma organização antinuclear sediada em Tóquio, nenhuma das centrais do país foi construída para suportar um sismo superior a 6,5 na escala de Richter. A Fukushima II, a uma dúzia de quilómetros da I, também teve problemas para arrefecer os quatro reactores. Os operadores tiveram que abrir as válvulas para deixar escapar o vapor radioactivo e diminuir a pressão.

As autoridades japonesas anunciaram ir dar comprimidos de iodo às pessoas que vivem perto das centrais, como medida para mitigar a exposição à radiação. Antes da explosão, as autoridades tinham mandado evacuar toda a região num raio de dez quilómetros a partir das centrais, mas ontem aumentaram este raio para 20 quilómetros depois do incidente, o que obrigou 140 mil pessoas a retirarem-se da região, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica. As estações de televisão japonesas aconselharam os habitantes que vivem a mais de dez quilómetros de distância a fecharem as janelas, desligarem os sistemas de ar condicionado e protegerem as condutas de ar com toalhas molhadas para evitarem ao máximo a exposição à radiação. Além disso, aconselharam as pessoas a cobrirem-se com roupa, para a pele não entrar em contacto com o ar.

Já se confirmou a contaminação por radiação a pelo menos três japoneses. Os pacientes, que agora estão num hospital juntamente com mais 90 pessoas, viviam numa aldeia próxima da Fukushima I. Segundo a Kyodo, a radiação recebida junto à central por uma pessoa numa hora corresponde ao limite máximo que se pode receber durante um ano.

Entretanto, a comunidade internacional está em alerta. Uma nuvem radioactiva pode hoje atingir a região de Kamchatka, no extremo oriente da Rússia, a norte do Japão. As autoridades austríacas aconselharam todos os austríacos que estivessem a viajar no Nordeste de Honshu a saírem da região. A Comissão Europeia convocou uma reunião sobre a indústria nuclear para a semana. Ou seja, o medo do nuclear voltou.

Público 13/03/11

Converter água em carne vermelha


A produção de carne vermelha tem uma procura significativa de água, com impactos sobre a qualidade.

domingo, 13 de março de 2011

Uma aula a partir do sismo e do tsunami no Japão

A crise japonesa - recursos actualizados

  • Uma explicação interactiva do sismo, no The New York Times;
  • Uma explicação, no Washington Post, do que está a acontecer nos reactores das centrais nucleares;
  • Gráficos interactivos dos sismos no Japão nos últimos 7 dias (à esquerda) com comparações históricas (à direita), no New Scientist;
  • Uma comparação da magnitude deste sismo com os anteriores, também do Washington Post.


Pirâmides etárias interactivas do Reino Unido, 1971-2083




O antes e o depois do sismo do Japão em imagens


As imagens, em alta-resolução, podem ser vistas no Google Earth a partir deste ficheiro KML;
Também pode explorar as imagens com o Google Maps;
Pode, também, dar uma vista de olhos a este álbum Picasa .


O NYT também disponibiliza aqui imagens do satélite GeoEye para poderemos comparar o antes e o depois do tsunami ocorrido no Japão. Basta arrastar o separador azul que está sobre as fotos...



sábado, 12 de março de 2011

Envelopes cartográficos



À venda aqui



Sismo no Japão 2011 - mais recursos

Sismo Japão 2011

O eixo da Terra pode-se ter deslocado 10 cm

O sismo no Japão terá deslocado o eixo de rotação da Terra em cerca de dez centímetros, indicou hoje o Instituto italiano de Geofísica e Vulcanologia, citado pela agência AFP.

"Os resultados preliminares de estudos efectuados pelo Instituto Nacional italiano de Geofísica e Vulcanologia indicam que o sismo no Japão terá deslocado o eixo de rotação da Terra em cerca de dez centímetros", indicou o director de investigação, Antonio Piersanti, num comunicado divulgado no sítio do instituto na internet.

Este movimento "é muito mais importante do que o do grande sismo de Sumatra em 2004 e provavelmente fica atrás do do Chile, em 1960". A agência espacial italiana é, contudo, mais reservada, estimando que é preciso recolher mais informação antes de estabelecer a medida exacta do movimento, divulga a agência noticiosa italiana Ansa.

A modificação do eixo da Terra pode ter repercussões sobre a duração do dia solar, mas trata-se de mudanças mínimas e imperceptíveis, da ordem de alguns milionésimos de segundo.

A agência noticiosa japonesa Kyodo adianta que o violento sismo e o subsequente maremoto, que afectaram hoje o nordeste do Japão, terá provocado a morte a mais de mil pessoas. O balanço agrava-se de minuto para minuto e, segundo o mais recente balanço provisório da polícia, já se registam 378 mortos, 584 desaparecidos e cerca de 950 feridos.

Terramoto no Japão - mais recursos cartográficos e outros

Tsunami wave height model. Source: NOAA

O terramoto de magnitude 8,9 na escala de Ritcher que atingiu o NE do Japão ontem, originou um conjunto muito variado de mapas que nos ajudam a perceber a geografia deste desastre natural e a coordenar a resposta.
Aqui está mais um conjunto de recursos cartográficos e outros: 


Fonte: NOAA