terça-feira, 22 de abril de 2014

Mais de 16,1% do solo chinês está contaminado, reconheceu o Governo

Lixeira perto de uma fábrica de produtos químicos em Xiangfan, na província de Hubei, no centro do país REUTERS
Uma investigação realizada pelo Ministério da Protecção Ambiental chinês mostrou que 16.1% do solo chinês tem níveis de poluição bastante elevados, incluindo metais pesados. "Em 82,8% do território contaminado existem poluentes inorgânicos tóxicos, incluindo cádmio, mercúrio, arsénico e chumbo”.

Foram recolhidas amostras em 6,3 milhões de quilómetros quadrados do território (cerca de dois terços da área do país), e destes mais de um milhão encontra-se poluído, de acordo com estudo realizado entre 2005 e 2013. O Ministério da Protecção Ambiental chinês culpa a actividade agrícola pela contaminação do solo, mas também “outras actividades humanas”.

Sabia-se que este estudo existia, e tem suscitado muitos rumores, diz a AFP, pois as autoridades chinesas tinham-se recusado a torna-lo público no ano passado, considerando-o um segredo de Estado. Contudo, esta quinta-feira publicaram finalmente o estudo no site oficial do Ministério da Protecção Ambiental (www.mep.gov.cn).

As autoridades chinesas estão muito preocupadas com o impacto que a poluição está a ter na economia. “É difícil estar optimista com estes resultados”, disse o Ministério da Protecção Ambiental em comunicado.

Esta crescente degradação do meio ambiente é um grande flagelo para população chinesa, cada vez menos disposta a aceitar o sacrifício do ambiente e da sua própria saúde pelo crescimento económico.

A grande maioria dos rios na China encontra-se moderadamente ou gravemente poluídos e os escândalos sobre a contaminação das águas subterrâneas têm sido comuns. Isto sem mencionar as constantes notícias sobre a degradação da qualidade do ar, afectando regiões inteiras da segunda economia mundial.

A China anunciou, na semana passada, o seu primeiro projecto-piloto para o tratamento de metais pesados no solo, na província de Hunan. O mesmo local que, no ano passado, foi envolvido numa série de escândalos, devido à contaminação do arroz por cádmio (é um dos metais mais tóxicos, apesar de ser um elemento químico essencial).

O Ministério chinês da Protecção Ambiental já reconheceu também em 2013, a existência de algumas " aldeias do cancro ".

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Medir o êxito de um país pelo PIB ainda faz sentido?

Rápido crescimento económico não significa, necessariamente, mais qualidade de vida

Principal indicador económico há quase um século, seria o PIB (Produto Interno Bruto) a melhor forma de medir o êxito de um país?

Uma conhecida crítica ao PIB diz que ele "mede tudo, exceto aquilo que faz a vida valer a pena". A frase ficou famosa com a declaração de um integrante de um dos principais clãs políticos americanos, o ex-senador Bobby Kennedy, em 1968.

Em outras palavras, o PIB - que nasceu nos anos da Grande Depressão (anos 1930) e da Segunda Guerra (1939-1945) para mensurar o tamanho e a riqueza de uma economia - está irremediavelmente viciado como uma medida do bem-estar humano. E cada vez mais ele é questionado.

A ONG Social Progress Imperative, liderada pelo economista Michael Porter, da Universidade de Harvard, sugere uma revisão do índice. Não se trata de enterrar de vez o PIB, mas de complementá-lo com um índice que mede tudo, menos o rendimento econômico.

"Se você eliminar os indicadores econômicos", diz Michael Green, diretor executivo do grupo, é possível "ver a relação entre o progresso econômico e social e entendê-lo muito melhor".

BBC Brasil
Ler mais aqui

terça-feira, 18 de março de 2014

Estudo contabiliza 148 tempestades fortes em Portugal no século XIX


Registos meteorológicos de Marino Miguel Franzini, em meados do século XIX


Projecto envolvendo quatro universidades está a reconstituir o clima do país nos últimos 350 anos a partir do cruzamento de várias fontes de informação. Já há alguns resultados preliminares.

O mau tempo não perdoa. As marés “produziram inundações desastrosas na foz do Douro e nas praias de Ovar”. A água avançou com “força espantosa” sobre a Ericeira, arrombando muros. “Há anos que não chega a tão grande altura”. Em Torres Vedras, “em algumas povoações marítimas têm havido sinistros”. Algumas pessoas foram arrastadas pelas ondas. Na Costa da Caparica, os pescadores ficaram mais de um mês sem sustento “porque o mau tempo não os tem deixado pescar”.

Quem lê estas linhas pensa que se referem a este Inverno de 2013-2014, marcado por sucessivas tempestades e um rasto de estragos pelo país. Mas não: são relatos e notícias do século XIX. Houve pelo menos 148 episódios associados a tempestades de vento, segundo um levantamento realizado por investigadores do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.

E, em grande medida, são uma cópia do que se continua a assistir no país: inundações nas zonas costeiras, casas destruídas pelo mar, ondas que varrem pessoas, árvores caídas nas cidades, construções afectadas. “As consequências é que podem ser piores, porque a pressão humana agora é maior”, diz Maria João Alcoforado, co-autora do estudo, juntamente com David Marques e António Lopes.

Olhar para as tempestades do século XIX é uma das várias linhas do KlimHist, um projecto envolvendo quatro universidades – de Lisboa, do Porto, de Évora e de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) – que pretende reconstituir o clima em Portugal nos últimos 350 anos. O projecto vai a meio e alguns resultados preliminares são apresentados esta segunda-feira na UTAD.

O ponto de partida é 1645, o ano em que começa um período de actividade solar muito baixa, conhecido como Mínimo de Maunder. Para um passado tão distante, não há senão registos meteorológicos indirectos. Os anéis de crescimento de centenários carvalhos-alvarinhos (Quercus rubor) da Mata Nacional do Buçaco estão a ser analisados para estudar a precipitação desde o século XVII. Descrições feitas por um mercador holandês do século XVIII, Inácio António Henkell, estão a ajudar na reconstituição das cheias do Douro. Há também estudos sobre a evolução da temperatura a partir de furos no solo ou sobre a aplicação de modelos climáticos para simular eventos meteorológicos extremos no passado.

A escala de Franzini
As informações sobre as tempestades de vento no século XIX vêm sobretudo de uma fonte: os registos sistemáticos de Marino Miguel Franzini (1779-1861), um dos pioneiros da estatística e da meteorologia em Portugal. Em 1815, Franzini começou a fazer anotações sobre o clima, a pedido do médico Bernardino Gomes, intrigado com a mortalidade elevada durante os verões. Deixou duas séries de dados, de 1815 a 1826 e de 1836 a 1859, com informações sobre o estado do tempo, a temperatura, o vento, as tempestades.

Os investigadores do projecto KlimHist traçam um paralelo da escala utilizada por Franzini para medir a força do vento com a desenvolvida pelo almirante britânico Francis Beaufort mais ou menos na mesma altura. Beaufort baseou a sua escala no estado “visível” do mar – o tipo e tamanho de vagas, se formavam “carneirinhos” ou se rebentavam, a concentração de aerossóis no ar ou de espuma sobre a água, a visibilidade. Para cada combinação de sinais era atribuído um grau – de 1 a 12 – associado a uma velocidade estimada do vento.

A escala de Beaufort tornou-se muito popular, mas Franzini, embora também servisse na Marinha, não a utilizou. “É estranho que não a conhecesse”, afirma António Lopes, um dos co-autores do estudo. Desenvolveu antes a sua, primeiro com quatro níveis, posteriormente com seis.

Os dados que deixou permitiram traçar, agora, uma primeira cronologia de eventos meteorológicos extremos no século XIX. Juntando outras fontes documentais, como notícias de jornais da época, os investigadores contabilizaram 148 tempestades associadas a ventos fortes nesse período. Três em cada quatro estavam relacionadas com ventos de Sul ou Sudoeste e a maior parte ocorreu nos meses de Inverno (Dezembro, Janeiro e Fevereiro).


domingo, 16 de março de 2014

O que acontece num minuto em todo o mundo?


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Jorge Malheiros explica a crise demográfica em Portugal



O esquerda.net entrevistou Jorge Malheiros, investigador do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, que faz o diagnóstico da crise demográfica em Portugal e lança propostas para a inverter.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal 2013



sábado, 14 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013